
Zelma Madeira, secretária de Igualdade Racial do Ceará e professora da UFC. (Foto: Reprodução/Instagram)
As demandas históricas da população negra têm conquistado maior centralidade no debate público. Esse avanço no plano discursivo, contudo, ainda não se traduz em transformações estruturais na realidade brasileira. Com a Câmara dos Deputados e o Senado majoritariamente posicionados à direita, pautas como o enfrentamento à violência policial, o combate ao encarceramento em massa da juventude negra e a proteção aos povos de terreiro e às comunidades quilombolas seguem à margem. O resultado é a permanência de um quadro marcado por desigualdades profundas e violações recorrentes de direitos.
No último ano, Sergipe voltou a acionar sua estrutura institucional voltada à igualdade racial depois de um hiato. Após oito anos sem convocação, o governo Fábio Mitidieri (PSD) realizou a V Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Conepir-SE), reunindo lideranças sociais, representantes do poder público e integrantes de comunidades tradicionais para debater justiça social e políticas de reparação. O encontro foi apresentado como um espaço de “diálogo entre o poder público e a sociedade civil”. Mas, na prática, os efeitos foram limitados. As deliberações não se converteram em políticas estruturantes nem em ampliação consistente da institucionalidade da pauta racial. O cenário permanece preocupante, com indicadores que revelam a persistência das desigualdades e a fragilidade das ações governamentais no enfrentamento ao racismo.
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